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tenhamos estabilidade em 2017
para iniciarmos uma lenta retoma-
da a partir de 2018. Mas do jeito
que a incerteza se abateu sobre o
País em função da crise política,
ainda é muito cedo para projetar-
mos com segurança o cenário dos
próximos anos.
A CEF anunciou em abril
medidas para reaquecer a de-
manda por crédito imobiliário
no País. Isso irá funcionar?
Medidas como facilidades ao crédito
para a comercialização de imóveis
usados são bem-vindas, mas na
verdade a questão principal agora
tem sido a absoluta falta de con-
fiança de investidores e famílias,
levando à queda nas vendas e nos
lançamentos de empreendimentos
imobiliários. Além disso, assisti-
mos ao aumento dos distratos,
revertendo um expressivo volume
de imóveis novos de volta aos
estoques das construtoras e das
incorporadoras. As medidas da
Caixa poderão dar algum alento ao
mercado, mas não acreditamos que
isso será significativo no contexto
atual, marcado por crise aguda de
confiança e persistência de juros
altos, lançando muita insegurança
aos atores desse segmento.
Como o senhor analisa os
custos do setor atualmente
para as construtoras inves-
tirem? Vão subir ou teremos
um fôlego?
Os custos da construção tenderão
a subir por conta da pressão infla-
cionária sobre os custos de nossos
fornecedores, especialmente os
fabricantes de materiais oligopo-
lizados. Essa elevação apenas
não aconteceu ainda em razão da
baixa demanda do setor e da au-
sência de perspectivas favoráveis
para novas obras.
O que podem esperar aqueles
que querem investir em imó-
veis nos próximos meses?
Podem esperar condições favorá-
veis, uma vez que o mercado está
francamente vendedor. Agora, é
importante ter em conta que sem-
pre será um excelente negócio para
quem quer sair do aluguel, mas não
necessariamente se deva esperar
uma valorização dos imóveis no
curto prazo, como ocorreu no perío-
do 2006-2013.
E em relação ao desemprego
do setor, podemos esperar
números melhores?
O SindusCon-SP estima que a
construção brasileira deverá perder
cerca de 200 mil trabalhadores com
carteira assinada neste ano. Se isso
ocorrer, serão mais de 700 mil em-
pregos fechados em dois anos.
Mesmo na hipótese otimista
de que a situação se reverta e a
confiança dos investidores retor-
ne, isso não se refletirá em uma
perspectiva favorável ao aumento
do emprego neste ano no setor. As
obras que eventualmente serão
contratadas em 2016 somente le-
varão a uma retomada do emprego
nos anos seguintes.
De forma geral, quais de-
vem ser as ações tanto do
governo quanto da iniciativa
privada e entidades para que
ajudem a reerguer o merca-
do da construção civil neste
momento?
Precisamos urgentemente atrair
os capitais nacionais e estrangei-
ros para obras de infraestrutura,
que irão ativar a economia, gerar
emprego e melhorar a compe-
titividade do País. Para tanto,
deveriam ser agilizadas as PPPs
(parcerias público-privadas) e as
concessões de serviços rodoviá-
rios, ferroviários, aeroportuários e
portuários. Esses investimentos
vão acontecer se três condições
forem preenchidas: taxas de re-
torno aos investidores realmente
atrativas; segurança jurídica de
que as condições pactuadas serão
respeitadas independentemente
do governo que estiver no poder e
facilidades no financiamento dos
projetos, aceitando como garantia
o resultado futuro das concessões,
o chamado
finance project.
“Precisamos urgentemente atrair os capitais
nacionais e estrangeiros para obras de
infraestrutura, que irão ativar a economia,
gerar emprego e melhorar a competitividade
do País. Para tanto, deveriam ser agilizadas
as PPPs (parcerias público-privadas) e
as concessões de serviços rodoviários,
ferroviários, aeroportuários e portuários”
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